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Braskem: Calote de R$ 3,6 Bilhões no Banco do Brasil Expõe Crise e Redesenha Cenário Petroquímico

Entenda o calote de R$ 3,6 bilhões da Braskem no Banco do Brasil, as razões financeiras por trás do não pagamento e o impacto nos indicadores do BB e no futuro da petroquímica brasileira.

Equipe TrendsBR — São Paulo
12/02/2026 19:44
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Braskem: Calote de R$ 3,6 Bilhões no Banco do Brasil Expõe Crise e Redesenha Cenário Petroquímico
Reprodução / Google Search
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A Braskem, gigante do setor petroquímico, está no centro das atenções do mercado financeiro após a confirmação de um calote de R$ 3,6 bilhões junto ao Banco do Brasil. O evento, que inicialmente foi divulgado como um atraso pontual de um cliente anônimo, rapidamente revelou a companhia como a devedora, expondo a vulnerabilidade financeira da empresa e provocando reações no mercado e nos indicadores de crédito do banco.

O Calote de R$ 3,6 Bilhões no Radar do Banco do Brasil

O Banco do Brasil foi o primeiro a sinalizar o problema. A instituição informou ao mercado que um atraso superior a 90 dias em um título de R$ 3,6 bilhões de um cliente específico havia impactado negativamente seus indicadores de inadimplência e de crédito. A identidade do devedor foi mantida em sigilo no anúncio inicial, mas fontes do mercado e o próprio banco posteriormente confirmaram que a Braskem era a empresa por trás do significativo montante.

Esse valor, destacado como um caso pontual pelo vice-presidente de Controles Internos do banco, demonstra a capacidade de um único evento afetar a saúde financeira de grandes instituições, mesmo que o impacto não seja catastrófico para um banco do porte do BB.

Os Desafios Financeiros que Levaram à Inadimplência

A inadimplência da Braskem não é um evento isolado, mas o reflexo de uma combinação de fatores financeiros adversos que a companhia tem enfrentado. A petroquímica opera sob intensa pressão, conforme evidenciado por agências de rating como Fitch e S&P, que vêm rebaixando suas notas de crédito. Os motivos são claros:

  • Baixa liquidez e forte alavancagem: A Braskem tem lidado com um caixa pressionado e um elevado nível de dívida em relação ao seu Ebitda, dificultando a renovação de linhas de crédito essenciais.

  • Ciclo prolongado de baixa na petroquímica: O setor tem atravessado um período de queda nos preços de seus produtos e nos spreads (a diferença entre o custo da matéria-prima e o preço de venda). Essa conjuntura reduz as margens de lucro e o fluxo de caixa operacional, comprometendo a capacidade da empresa de gerar receita suficiente para honrar seus compromissos.

Tais fatores culminaram na dificuldade de cumprir pagamentos de juros e amortizações no curto prazo, resultando na inadimplência do título vinculado ao Banco do Brasil.

Operação de Crédito e o Risco Mitigado, mas Não Evitado

Um aspecto crucial para entender a dinâmica do calote é a estrutura da operação de crédito. O Banco do Brasil, buscando mitigar o risco, havia cedido parte desse título a um fundo especializado em créditos de maior risco, conhecidos no mercado como “situations special funds”. Essa medida não é incomum em situações de alta complexidade ou maior risco.

Segundo o vice-presidente de Controles Internos do BB, essa estrutura foi idealizada para viabilizar a regularização do crédito antes que ele atingisse o estágio de inadimplência. No entanto, mesmo com essa tentativa de reestruturação e gestão de risco, o título acabou sendo classificado como atrasado, impactando os indicadores do banco e confirmando a severidade da situação financeira da Braskem.

Motivos Centrais: Uma Análise da Vulnerabilidade

Em resumo, as principais causas que culminaram no calote da Braskem podem ser categorizadas da seguinte forma:

  • Dificuldade de fluxo de caixa: A Braskem tem lutado para gerar caixa suficiente para cobrir suas dívidas dentro do prazo.

  • Alavancagem elevada: O alto endividamento da companhia em relação à sua capacidade de geração de lucro torna o financiamento de compromissos uma tarefa árdua.

  • Ciclo desfavorável na petroquímica: A pressão global sobre os spreads e o volume de vendas tem reduzido significativamente a receita operacional.

  • Estrutura de crédito complexa: O envolvimento de fundos especializados já indicava que o risco associado a esse título era elevado e exigia uma gestão diferenciada.

Implicações para a Braskem e o Banco do Brasil

O episódio do calote de R$ 3,6 bilhões traz consequências diretas para ambas as partes envolvidas:

  • Para a Braskem: O evento reforça a percepção de vulnerabilidade financeira da companhia. Com reavaliações de rating e perspectivas negativas por parte das agências, a Braskem enfrenta o desafio de gerenciar um passivo de dívida elevado e restaurar a confiança do mercado e dos investidores.

  • Para o Banco do Brasil: O caso provocou um impacto nos índices de inadimplência e nos indicadores de cobertura de ativos duvidosos. Contudo, a instituição sinalizou que, embora o efeito inicial tenha sido notável, não espera efeitos adicionais significativos no trimestre subsequente, indicando que a situação está sob controle e já precificada.

A situação da Braskem continua a ser um termômetro importante para a saúde do setor petroquímico e um lembrete da volatilidade do mercado em ciclos econômicos desafiadores.

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